Em Contra o Sectarismo (1929), José Oiticica defende que o anarquismo é essencialmente anti-sectário: quem quer liberdade não pode aceitar dogmas, disciplinas, chefias ou inquisições. O anarquismo quer emancipar não só os trabalhadores do patrão, mas os homens inteiros, o que inclui a libertação moral e mental da tutela de políticos, religiosos e morais criadas para fanatizar escravos.
Por isso, ele critica anarquistas que lamentam ou atacam as divergências internas (individualistas contra comunistas, sindicalistas contra extra-sindicalistas). Para Oiticica, isso revela o sectarismo herdado de uma cultura dogmática. Ele vê nas várias tendências o melhor sinal de vida do anarquismo: a transformação social tem soluções múltiplas, e a força do método está justamente nessa pluralidade de meios rumo ao mesmo fim.
O verdadeiro anarquista colabora com todos os grupos e até com não-anarquistas quando a ação deles fortalece a oposição revolucionária: é anticlerical com os anticlericais, defende liberdades contra reacionários, apoia reivindicações bolchevistas e escolas racionalistas. Recusar isso seria negar o próprio anarquismo.
Características do zine:
Formato: A6 (148x105mm)
Número de páginas: 8
Capa: Papel 120g
Encadernação: Dobra e grampo