David Graeber (tradução de Pablo P.)
Graeber argumenta que, embora intelectuais radicais declarem o vanguardismo morto há mais de um século, seus hábitos de pensamento seguem entranhados na academia. Ele percebeu isso ao conhecer a tomada de decisão por consenso no anarquismo norte-americano, que parte do princípio de que ninguém deve converter completamente o outro e de que se deve dar ao interlocutor o benefício da dúvida. Isso contrasta com o debate acadêmico e sectário, que prefere a leitura mais idiota do adversário e trata divergências teóricas como defeitos morais.
Para explicar por que há tão poucos anarquistas na academia, ele compara as duas tradições. O marxismo tem autores (leninistas, maoístas, gramscianos) e funciona como discurso analítico sobre estratégia; combina com a lógica acadêmica de disputa por prestígio. O anarquismo se divide por formas de prática e é sobretudo uma ética de prática, que exige coerência entre meios e fins, o que combina mal com a universidade.
Graeber reconstrói a história da ideia de vanguarda. O termo vem de Saint-Simon, que via os artistas como líderes espirituais, em oposição ao cientificismo autoritário de Comte. Marx deslocou o foco para o proletariado, os mais oprimidos , e Lênin deu forma ao partido de vanguarda. Já a boemia artística buscava modos de vida menos alienados.
Sua tese é que coalizões revolucionárias unem os menos alienados e os mais oprimidos, o que explica o papel dos povos indígenas. Como alternativa, propõe uma auto-etnografia: revelar as lógicas tácitas das práticas radicais existentes e devolvê-las às comunidades, sem posar de elite dirigente.
Características do zine:
Formato: A5 (210x148mm)
Número de páginas: 20
Capa: Papel fotográfico 120g
Encadernação: Dobra e grampo